No dia em que os
membros da Liga dos Servos de Jesus acompanharam a Ir Lúcia, que, durante muitos anos, viveu em Fátima, tendo passado, antes, pela Orca, à sua última morada, nesta terra, escrevi estas quadras, em honra da sua Nossa Senhora preferida. A Irmã Lúcia, que entrou para a Liga, no Outeiro de S. Miguel, acabou por ser sepultada junto das Irmãs, falecidas naquela Comunidade, apesar de ter passado a maior parte da sua vida de serva em Fátima e de ter manifestado o seu desejo de ficar por lá. Porém, os desígnios da Providência a seu respeito eram diferentes e acabou por regressar ao ponto de partida.
Após ter contraído doença de alzheimer, ainda se manteve ali, durante algum tempo. Mas numa Comunidade de três elementos, tornava-se difícil tratá-la convenientemente.
Tendo-se agravado a situação, e ocorrendo novas crises de falta de saúde, teve de deixar a sua terra predilecta, Fátima, e passou a viver no Centro de Acolhimento de S. João de Deus, na Guarda, onde continuaram a surgir complicações.
Com as nossas comunidades constituídas quase só por Irmãs idosas e doentes, torna-se impossível prestar a assistência, a que cada pessoa tem direito, a quem esteja em situação de maior gravidade e dependência, por isso recorremos àquele Lar de Idosos, orientado por Irmãs que pertencem à Liga, onde ficam integradas numa Comunidade, embora não seja a habitual.
Lá foi para o céu, ela que teve a dita de privar com a Irmã Lúcia, Vidente, e que, como ela, tinha tanto amor a Nossa Senhora de Fátima!
Como recompensa, a mesma Senhora veio buscá-la no mês a Ela dedicado, Mês de Maria, que ela, enquanto pode, celebrou a seus pés, lá na Cova da Iria.
Não se esqueça da Liga, Irmã Lúcia!
Virgem Maria!
O mês a Vós dedicado,
Já se vai a mais de meio;
Meu dever de bom soldado
Não estar a cumprir, receio.
O mesmo dizer não posso,
Do meu exemplar exército;
Soldado que é dele, é vosso,
E nisso é que está o mérito.
Eu quero sê-lo, também,
E esforço tenho feito;
Ajudai-me, Virgem Mãe,
A sê-lo, ao vosso jeito.
É que o tempo é tão propício,
Para se viver sem pensar,
Que é fácil ganhar o “vício”,
De tudo fazer no ar.
Pedistes-nos penitência,
Pedistes-nos oração
E com tão grande insistência,
Que é difícil dizer não!
Urgente é mudar de vida,
Mas, se for para melhor;
Não tendes sido atendida,
Mãe minha e do meu Senhor!
Foi a nós, aos portugueses,
Que entregastes a Mensagem;
Mas, quão cheia de reveses,
Tem sido nossa coragem!
Perdoai-nos, Mãe bendita,
A nossa fragilidade;
E concedei-nos a dita,
De merecer para a eternidade!
Olhai a nossa Ir Lúcia,
Que, hoje, foi para o céu!
Como usou a sua astúcia,
Para, a todos, falar de Deus!
Viveu bem juntinho a Vós,
Aí, na Cova da Iria;
Sempre o seu interesse pôs,
Na Mensagem, ó Maria!
Muito bem a conhecia
E como a quis divulgar!...
A quantos ela acolhia,
Tinha uma palavra a dar.