quinta-feira, 26 de abril de 2012

HOMILIA DE D. MANUEL FELÍCIO, NA CATEDRAL DO SUMBE!

III Domingo da Páscoa. 22. 04. 2012
Homilia na Catedral de Nossa Senhora da Conceição de Sumbe
Sr. D. Benedito, Excelência Reverendíssima,
Reverendos Padres concelebrantes, Ministros de altar
Serviços, movimentos e obras da Diocese presentes,
Irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo:

A minha primeira palavra é para vos dizer obrigado pela bela manifestação de alegria e de festa que está a ser esta Eucaristia de Domingo, na catedral dedicada a Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Sumbe. Saúdo, de forma particular, o Sr. D. Benedito Roberto, Bispo desta Diocese, que hoje me concede a honra de pregar a partir da sua própria cátedra. E a alegria deste momento é tanto maior quanto ele representa importante passo em frente na caminhada de cooperação entre as nossas duas Dioceses, iniciada há 4 anos. Desta vez será momento alto dessa caminhada a inauguração da casa e da escola da comunidade das irmãs da Liga dos Servos de Jesus, já radicada na Missão da Kilenda, prevista para o próximo sábado, dia 28 do corrente mês de abril.
Irmãs e irmãos, e agora convido-vos a colocarmo-nos todos no meio da multidão que escutava o discurso de Pedro, segundo a primeira leitura tirada dos Atos dos Apóstolos. Também a nós hoje ele nos lembra que Deus ressuscitou Jesus, aquele que a maldade dos homens condenou à morte, apesar de Pilatos ter publicamente reconhecido a sua inocência. E também a nós Pedro nos dirige o apelo ao arrependimento e à conversão para sermos verdadeiramente, na continuação do ministério dos Apóstolos, testemunhas do Ressuscitado. Sentimos as muitas resistências que existem em nós e no nosso mundo ao anúncio de Cristo Ressuscitado e a vivermos, por inteiro, a novidade da sua Ressurreição. A isso chama-se pecado. Mas também sabemos que, apesar das nossas limitações e fraquezas, temos junto do Pai um verdadeiro advogado, Jesus Cristo, como diz o Apóstolo S. João, na sua primeira carta. Ele veio ao mundo para apagar os pecados da humanidade e, com a sua morte na cruz, cumpriu, por inteiro, esta missão. Por isso, o mesmo S. João lhe aplica a linguagem da tradição judaica, dizendo que ele é a verdadeira vítima de expiação pelos nossos pecados. Também nós nos sentimos companheiros dos discípulos de Emaús, a que o Evangelho de hoje se refere. Partilhamos as suas dúvidas e incertezas, carregamos com a sua desilusão, porque Jesus foi condenado à morte. É certo que algumas mulheres foram ao sepulcro e não encontraram lá o corpo, mas a ele não o viram. Também nós queremos, como os discípulos de Emaús, deixar abrir o nosso coração e a nossa inteligência à novidade de Cristo Ressuscitado. Como aconteceu aos apóstolos, queremos deixar que a surpresa do encontro com Ele transforme toda a nossa vida e faça de nós verdadeiros missionários. E como aconteceu àqueles dois caminhantes para Emaús, também para nós a celebração da Eucaristia, em cada Domingo, é o lugar decisivo para abrirmos o coração a Jesus vivo e decidirmos cumprir o seu mandato missionário. Como os Apóstolos, escutamos, de novo, o mandato missionário de Jesus para sermos testemunhas da sua Ressurreição, num tempo novo. Por isso se justifica o apelo que a Igreja nos faz para a aventura da nova evangelização. E, como as palavras o dizem, falar de nova evangelização supõe que houve uma primeira evangelização, que nos trouxe a notícia de Jesus Cristo e do seu Evangelho. É por isso que, no pouco tempo de presença neste esperançoso território angolano, eu já encontrei muitos sinais do anúncio de Jesus Cristo que aqui se faz há 5 séculos.
A expressão “Nova Evangelização” deve-se em grande medida ao Papa e agora Beato João Paulo II, que a usou, pela primeira vez, ao visitar territórios da América Latina para comemorar os 5 séculos da sua primeira evangelização. Ele próprio disse o que se deve entender por nova evangelização. Esta não desfaz a importância decisiva da primeira evangelização, nem muito menos pretende anunciar um evangelho diferente do primeiro evangelho saído da boca de Jesus e anunciado ao Mundo pelos apóstolos. Pretende sim anunciar este único e mesmo evangelho, mas agora com novo ardor, com nova linguagem e com novos métodos.
A Igreja Universal prepara agora um novo Sínodo precisamente sobre este assunto da “Nova Evangelização para a transmissão da Fé”. Ora, acontece que a transmissão da Fé não pode ser entendida como simples passagem de uma doutrina ou mesmo de uma moral às pessoas em geral e sobretudo às gerações mais novas. Por ele deve entender-se, sim, como diz o actual Papa Bento XVI, “o encontro com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e um rumo decisivo”. É promover este encontro com Cristo Vivo que devem pretender tanto a Igreja em geral como cada uma das nossas comunidades. Se não tivermos sempre bem definida esta meta em tudo o que fazemos nas nossas comunidades da Fé, andaremos por caminhos errados e a perder tempo.
Permiti-me agora que, a terminar, eu possa convosco dar graças a Deus por alguns indicadores d vitalidade da Fé das comunidades cristãs em Angola e particularmente nesta para mim já querida Diocese de Nossa Senhora da Imaculada Conceição de Sumbe.
O primeiro é a centralidade da Eucaristia, que as comunidades vivem com entusiasmo, ao domingo, em cada um dos seus centros pastorais. A chegada do Sacerdote é uma autêntica festa vivida como sendo a chegada do Senhor Jesus.
O segundo é a centralidade da figura do catequista, tanto na paróquia ou na missão, como na zona pastoral e também na comunidade local. Uma referência especial merece o catequista visitador. De facto, a prioridade da catequese e dos catequistas é lição que as velhas cristandades europeias têm de saber aprender convosco, porque esses são, de verdade, os autênticos caminhos da nova evangelização, isto é promover o amor à Palavra de Deus, o seu acolhimento e partilha e, a partir daí, dar sentido novo à organização da vida pessoal, comunitária e da sociedade em geral.
O terceiro é o crescente entusiasmo, que aqui se encontra, pelas vocações sacerdotais e outras de especial consagração. Dou abundantes graças ao Senhor pelos 8 sacerdotes ordenados nesta Diocese, no ano passado e peço-lhe para que as comunidades cristãs da velha Europa possam retomar o entusiasmo por este valor fundamental na vida da Igreja.
Termino mesmo, lembrando que a nova evangelização nos pede, antes de mais, que sejamos santos. E ser santos é cumprirmos a nossa identidade baptismal de configurados com Cristo na morte e na Ressurreição, procurando responder ao apelo do Evangelho para sermos perfeitos como é perfeito o nosso Pai do Céu.
Por isso, o Papa Paulo VI dizia, numa sua carta que fez e continua a fazer história: “ o homem contemporâneo escuta com mais atenção as testemunhas do que os mestres e se ele escuta os mestres é porque são testemunhas” (E.N., 11).

+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda



1 comentário:

feliz disse...

Gostei muito! É um tema atual, em ambiente de Páscoa e maneira de falar apropriada à assembleia participante, destacando muitas atitudes positivas do povo de Deus, naquela diocese.